Acredito que o grande segredo para adquirir excelência na gastronomia, se tornar um ótimo gastrônomo, um curioso, um chefe de cozinha, uma pessoa de maior conhecimento, está na capacidade de cada pessoa de se regionalizar!
O que isso quer dizer?
Fato é que, todas as pessoas gostam de comer bem, algumas em quantidade outras em qualidade, alguns com o paladar mais apurado enquanto... outros satisfeitos apenas com o básico.
Se regionalizar, em minha visão gastronômica, é a capacidade que o ser humano tem de adaptação, no que condiz aos costumes locais, à culinária nativa, a forma de pensar, o cotidiano da região habitada ou visitada.
Um grande cozinheiro se assemelha muito com a vida de um mochileiro, pois o viajante forasteiro que em sua curiosidade visita um lugar desconhecido, passa agir da mesma forma com que os nativos, com intuito de “sentir o lugar”. Mas com um detalhe, está sempre antenado a tudo e a todos, aberto a novas ideias e raciocínios, adaptando e aprimorando seu modo de pensar e seus pontos de vista, se aproximando da cultura e hábitos da população ali residente.
Tão prazeroso quanto degustar uma bela refeição, é saber como ela é preparada. Digo não somente interpretação de receitas, mas sim desde a colheita in natura até o preparo final, as músicas que dão ritmos à culinária local, o pescado que chega fresquinho à comunidade ribeirinha de pescadores, as panelas de barro, as baianas da terra de Gregório de Matos, que aplicam a gastronomia do dendê, sempre com estonteante sorriso estampado, exteriorizando vibrações aos cantos da cidade da mestiçagem.
A culinária mineira que tem se tornado famosa no mundo inteiro, que o faz lembrar das raízes, de quando criança, brincando de pé descalço nas terras vermelhas da roça, aquele cheirinho cheio de história e de sabor, em sua humildade no fogão à lenha, refogando um feijão fresquinho que dará origem ao tão saboroso Feijão Tropeiro.
Sem esquecer também, da quase extinta culinária paulista que temos como necessidade resgatá-la , pois de suma importância para nós paulistas, onde desde primórdios da colonização do Brasil, trouxe uma miscigenação de culturas e sabores como o feijão gordo, mandioca frita, cuscuz, sendo que São Paulo é um dos maiores centros econômicos e industriais de enorme relevância da América do Sul, “terra de progresso e gente guerreira”.
Se regionalizar é se adaptar, é conhecer as iguarias, as delícias que o nosso país oferece de uma ponta a outra, cortando estradas e Estados, é participar de alguma forma, é contribuir para o crescimento de nossa cultura gastronômica, é divulgar o quão rico o Brasil é em temperos, sabores, história, carisma e bom humor. Me orgulho de ser brasileiro, me orgulho de fazer parte deste conglomerado de raças, deste apanhado de sabores, de fazer parte deste país gastronômico que me dá água na boca!
Auoria de "Clevin Rocha "

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